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Mercado bate um bolão

17/04/2011 - Sem Categoria

Só em 2010 a valorização de preços teria chegado a 50%. Ou seja, segundo as contas do mercado imobiliário, a chamada região olímpica, localizada entre a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes, já vem, cinco anos antes, sentindo os efeitos dos Jogos. Os lançamentos previstos para este ano, residenciais e comerciais, são outro exemplo: das seis mil unidades que a Barra deverá ganhar, 2.500 estarão nesse perímetro.

O número é significativo, acrescentando-se a ele os lançamentos realizados na região entre outubro de 2009, quando o Rio foi anunciado como sede das Olimpíadas de 2016, e março deste ano: 4.897 unidades, de acordo com levantamento realizado pela grupo imobiliário Lopes Rio.

- E todos os empreendimentos estão com uma altíssima velocidade de venda, apesar de os preços terem subido um degrau. Atualmente, o metro quadrado nessa área gira em torno de R$5 mil. Há dois anos, era de R$3,5 mil. E acho que os valores ainda tendem a crescer de 10% a 15% ao ano até 2016 - acredita Luigi Gaino Martins, diretor da Lopes Rio.

Alexandre Fonseca, vice-presidente da Ademi-RJ (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário), é mais contido. Diz que a perspectiva para os próximos cinco anos é mesmo de valorização, mas de forma um pouco mais lenta.

- Quando você tem uma área valorizada e já totalmente construída, os preços não param. Mas como ali ainda há muita oferta de terrenos, a valorização tende a acontecer de forma mais gradual.

Baseado nessa grande oferta, aliás, o economista Luís Carlos Ewald ressalta que o mercado vive um momento de grande euforia, que pode não refletir exatamente a realidade:

- É importante que haja cuidado em relação a movimentos especulativos. Vivemos um efeito manada por conta da euforia. Pode ser que as coisas funcionem, mas não podemos esquecer que vivemos em um país em que nem os aeroportos funcionam.

Mas o vice da Ademi rebate:

- Esse movimento não tem qualquer característica de especulação. Os compradores finais são, em sua grande maioria, os moradores, e no caso de salas comerciais, investidores que vão alugar.

Ainda segundo Fonseca, a região olímpica - que se estende do Autódromo de Jacarepaguá até a Estrada dos Bandeirantes, passando por Abelardo Bueno, Salvador Allende e parte da Avenida das Américas - teria potencial inclusive para se tornar o grande centro econômico da cidade:

- Em Paris, onde se mexeu muito pouco na estrutura da cidade, foi desenvolvida a La Defense, uma nova área para abrigar o centro econômico. Acho que o Centro Metropolitano, que foi desenhado pelo Lúcio Costa para ser o Centro do Rio (o que é uma verdade geográfica), pode perfeitamente assumir esse papel.

Pois a chegada de lançamentos comerciais é outro motivo de comemoração para o mercado. Para Gaino, da Lopes, a grande procura de incorporadoras por terrenos para esse tipo de empreendimento comprova que a área já está consolidada:

- Hoje, a gente tem visto muitas incorporadoras procurando terrenos para fazer shoppings, flats e prédios comerciais. Fizemos uma grande pesquisa recentemente e descobrimos que empreendimentos comerciais lançados nos últimos seis meses têm uma taxa de estoque (unidades ainda não vendidas) bem menor do que a dos lançamentos feitos há dois anos.

Apostando nesse cenário, a Carvalho Hosken, em parceria com a RJZ/Cyrela, vai oferecer ao mercado, em maio, o Universe, empreendimento comercial que terá sete blocos com 642 unidades. O complexo ficará em frente ao Shopping Metropolitano, que tem entrega prevista para até o início de 2013 e já está com 70% das lojas vendidas.

- O anúncio de que o Rio de Janeiro seria a sede dos Jogos Olímpicos catalisou um forte processo de desenvolvimento urbano. O que aconteceria em, talvez, 20 ou 30 anos, vai acontecer em cinco - acredita Ricardo Corrêa, diretor de Marketing da Carvalho Hosken.

Karine Tavares / fonte: O Globo
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