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Novo eixo na Barra

23/03/2009 - Sem Categoria

Novo eixo na Barra

O mercado de imóveis comerciais está ajudando a conter a queda dos lançamentos imobiliários no Rio de Janeiro. Segundo dados da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), em 2007, foram lançadas 870 unidades comerciais na cidade, de um total de 13.531 unidades construídas; ano passado, o número de lançamentos comerciais foi de 1.641, para um total de 11.603 unidades. A avaliação do mercado imobiliário é de que a queda foi menor do que se esperava, já que previa-se redução de 30% em função da crise econômica mundial iniciada em setembro de 2008.

Ainda segundo dados da Ademi, a cidade tem seu maior crescimento na Zona Oeste. Especialmente na Barra, Jacarepaguá e Recreio, que totalizaram 67% dos lançamentos do Rio em 2008. A Barra da Tijuca voltou ao primeiro lugar dentre os bairros que tiveram o maior número de lançamentos de unidades residenciais e comerciais em 2008.

A Pesquisa Ademi do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro mostrou que o bairro atingiu o total de 4.467 imóveis, crescimento de 49,2% sobre o ano anterior, quando teve 2.993 unidades. A Barra havia sido superada em 2007 por Jacarepagua, que, por sua vez, voltou ao segundo lugar, caindo de 4.370 para 2.238 unidades lançadas, mas mantendo volume semelhante ao do ano de 2006, 2.346 unidades. "A cidade cresce na direção da Zona Oeste. Vargem Grande, por exemplo, vai crescer bastante residencialmente no futuro breve", disse o presidente da Calçada Construtora, João Paulo Matos.

Na Barra da Tijuca, as construções estão migrando do tradicional eixo das avenidas Sernambetiba e Américas para outros, como o da avenida Abelardo Bueno (perto do Autódromo de Jacarepagua), que, sozinha, recebeu 3.311 unidades nos últimos cinco anos. De acordo com a Patrimóvel, em 2000 a estimativa do metro quadrado da área (que não tinha empreendimentos comerciais na época) era R$ 2 mil e, em 2008, chegou a R$ 5,5 mil, valorização de 175%. Esse índice é semelhante aos bairros nobres da Zona Sul, como Ipanema e Leblon, onde o metro quadrado teve valorização de 180%, R$ 5 mil em 2003 para R$ 14 mil hoje em dia.

Novo eixo. "A região da Abelardo Bueno passou a ser o novo eixo da construção civil da Barra da Tijuca. A avenida passou por uma revitalização com a construção de mais de 3 mil unidades residenciais nos últimos anos. É natural que, depois disso, se construam os empreendimentos comerciais", disse Mattos. Semana passada, a Calçada Construtora cancelou o lançamento do Vision Offices, que está construindo junto com a Montserrat, pois todas as suas pouco mais de 400 unidades comerciais já foram pré-reservadas. As vendas irão gerar mais de R$ 70 milhões para a companhia.

A Calçada tem planos de lançar no segundo semestre desse ano a segunda fase do empreendimento residencial Barra Mais, na rua Aroazes, paralela à avenida Aberlado Bueno. Ano passado foi lançado a primeira fase, com 200 unidades vendidas gerando caixa de R$ 55 milhões. Para a segunda fase, estima-se lançamento de 800 unidades. Outros dois exemplos de potencial de crescimento da zona oeste é o O2, com 645 unidades residenciais, lançado pela Calçada, e o Península Office, com 169 unidades, lançado pela Carvalho Hosken juntamente com a RJZ Cyrela. Ambos os empreendimentos tiveram suas unidades liquidadas em menos de 24 horas.

O vice-presidente da Ademi, Rubem Vasconcelos, diz que parte do sucesso das construtoras nessas regiões é por estarem lançando produtos "fashion, bem acabados e baratos". De acordo com ele, na cadeia de produção do mercado imobiliário, quem mais sofreu com a crise foram os produtores, não os consumidores.

"Os compradores ainda estão querendo comprar. Se oferecerem crédito fácil e boas condições de pagamento para aumentarem a liquidez dos empreendimentos, as pessoas vão continuar comprando", disse Vasconcelos.

Segundo ele, há muitos compradores, ou "poupadores", que reservam mensalmente de R$ 300 a R$ 400 mensais para gastar com imóveis. "Muita gente considera imóvel como porto seguro para momentos difíceis. Essas pessoas então poupam uma parte do salário para investir em imóveis. Hoje, o que as empresas estão fazendo é aumentar a liquidez dos empreendimentos para atingir justamente esse tipo de consumidor", concluiu.

/ fonte: Jornal do Commercio
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