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Rio se transforma na capital dos novos imóveis comerciais

28/04/2011 - Sem Categoria

(...) Há otimismo generalizado, que se reflete diretamente no setor imobiliário. O mercado experimenta aumento de vendas, valorização do metro quadrado e a volta de lançamentos em bairros que estavam há anos sem novos empreendimentos, como a Tijuca, consequência das ações de segurança pública aliadas à demanda reprimida. De um lado, o Centro se renova e se expande na direção da Zona Portuária. De outro, graças às expectativas geradas pelas obras de infraestrutura viária, grandes empreendimentos são anunciados na Barra e no entorno da Baixada de Jacarepaguá. Ali, a Avenida Embaixador Abelardo Bueno desponta com ambições de se tornar o novo Centro Metropolitano do Rio, como te- ria imaginado, há 40 anos, o arquiteto e urbanista Lucio Costa.

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Este ano, podem chegar até R$ 6 bilhões, numa expansão de 20% a 50%, dependendo da fonte consultada. De acordo com a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), foram vendidas cerca de 19.976 unidades no ano passado, 39% a mais do que as 14.413 de 2009. Do total, 3.245 foram imóveis comerciais, segmento que teve valorização de 53%, segundo o Sindicato da Habitação do Estado do Rio de Janeiro (Secovi-RJ).

"Contando apenas os projetos que eu conheço - nossos e de outras empresas -, já são 50% a mais de unidades comerciais a serem colocadas no mercado este ano", calcula o diretor da Brookfield Incorporações, Caetano Sani.

São moradores de outros estados que querem ter um lugar no Rio, investidores e empresas que chegam para dar conta do aquecimento econômico do estado (na área de petróleo e siderurgia, em particular) e do Brasil, de modo geral, diz Vasconcelos. Ele cita, por exemplo, a subsidiária da chinesa State Grid, da área de energia, atualmente em busca de dois prédios na capital - um para seus escritórios e outro, residencial, para acomodar seus funcionários.

Em alguns bairros, contudo, o desenvolvimento é mais acelerado. "O futuro Centro do Rio vai ser a Barra da Tijuca; o Centro Metropolitano será o que a Avenida Rio Branco é hoje", profecia Sani.

Ele diz que os imóveis comerciais na Avenida Embaixador Abelardo Bueno já estavam sendo negociados, no ano passado, a R$ 8,5 mil o metro quadrado.

Mesmo valor cobrado, há dois anos, na Avenida das Américas, onde chega agora aos R$ 10 mil. Ou mais: ali, o Barra Business foi lançado pela Brookfield e vendido por R$ 14,5 mil o metro quadrado em um dia e meio. O diretor-superintendente da imobiliária Basimóvel, Mário Amorim, diz que, até 2009, o metro quadrado na Barra da Tijuca estava na faixa dos R$ 5 mil; no ano passado, passou a R$ 7 mil; e, este ano, já bateu R$ 8 mil, com expectativa de novos lançamentos a R$ 9 mil ou a R$ 9,5 mil o metro quadrado.

Afinada com a transferência de demanda da Avenida das Américas para a Embaixador Abelardo Bueno, a Brookfield vai anunciar, em maio, outro empreendimento na região. Na área, já conta com o Brookfield Place Worldwide Offices, lançado em novembro, em parceria com o Grupo Teruszkin. Este com- plexo empresarial tem valor geral de vendas de R$ 316 milhões e inclui torre corporativa, dois edifícios de escritórios, e será construído em terreno de 15.963 metros quadrados. Foi todo negociado em um mês.

"Tudo próximo à Abelardo Bueno é um sucesso; lá é o epicentro do mercado", garante o vice-presidente da RJZ Cyrela, Rogério Jonas Zylbersztajn.

(...)  Luigi Gaino Martins, tem a mesma opinião. "A [Avenida Embaixador] Abelardo Bueno é a bola da vez; a região do Rio II terá crescimento irreversível." Ele aponta dois polos de maior expansão: a região que se aproxima da Avenida Ayrton Senna, onde está o Centro Metropolitano; e a outra ponta, chegando no Recreio, em volta da Avenida Salvador Allende. "Nesses dois polos, mais a Avenida das Américas serão lançadas este ano cerca de 3,5 mil unidades comerciais, em comparação a mil do ano passado", prevê.

Na esquina da Avenida Salvador Allende (com a Avenida das América), a Gafisa vai lançar, em junho, um dos vários comerciais que a em- presa programou para este ano e que devem responder por um terço das suas vendas (foram 20% em 2010).

De acordo com o diretor de negócios da empresa, Alexandre Millen, será um empreendimento de grande porte, com salas corporativas e lojas, em um total de 700 unidades e valor geral de vendas de R$ 300 milhões. "O principal foco do investimento continua sendo a Barra da Tijuca, a área com maior investimento e procura", diz Millen. Mas o executivo nota que a taxa de vacância comercial na cidade está próxima de zero. Por isso, a empresa planeja mais lançamentos para outras regiões. A começar pela Fre- guesia, onde outro complexo empresarial será anunciado, provavelmente em junho, com 700 unidades.

Há demanda reprimida imensa, diz o diretor da Carvalho Hosken, Ricardo Corrêa. Mas a grande novidade, na opinião dele, é o profissional liberal - o arquiteto, médico, engenheiro, etc. - que começou a comprar salas na Barra para atender os clientes que se mudaram para lá, vindos da Zona Sul. Sani concorda: "O carioca mudou para a Barra. E os prestadores de serviços têm que acompanhar sua clientela."

O futuro Centro do Rio vai ser a Barra da Tijuca; o Centro Metropolitano será o que a Avenida Rio Branco é hoje Caetano Sani.

/ fonte: O Globo | Especial Imóveis Comerciais
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